14.12.07

mais perto

A: por vezes penso que arrebento, mas também me arrebenta o pensamento, hoje lembro-me da Funda...quase fomos família

C: obrigado por me teres convidado para tua casa, agora desejo-te uma boa vida, pareces-me ter um olhar cansado

B: o vazio combate-se com o saturado, hoje em dia entupimo-nos de informação para sentirmos que pertencemos.
não digerimos nada, mas, sem querer, tudo absorvemos.
somos massas diferentes, mas repetimos as mentes.
mentimos aos outros e nos próprios, normalmente pela ordem inversa.
lemos a verdade, mas guardamos a mentira que nos convém,

D: ámen

A: tenho reaver o que escrevi, mas para agora vou escrever

C: penso que deveria haver amor sem a palavra, será que só mesmo nós os fadistas é que sabem o que é saudade?
vinho, carne e o sexo da verdade.
constipei-me ontem à tarde,
tenho a minha própria visão de sobriedade,
confuso sempre andei desde tenra idade.

A: ao contrario, posso sempre tentar casar com a Funda, rapariga confusa que veio foder para cidade, mas não entendo porquê tanto alarme, afinal eu digo sempre a verdade.
e gosto de molho na salada e de dormir acompanhado...ou então não dormir.
sempre achei a vida a maior das bençãos e perde-la a maior das lições.
sempre ocupei a mente com a amor e morte,
ambos só chegam com muita sorte.
(e, pronto, bloqueiosempreaosomdestaspalavras,fascinam-mepeloamorquelhestenho.anseioasuachegadacomumnervosismoirracional,
quemelevaaprepararnaoseicomoasuachegada,essediafinal.)
tenho compilado teoria e práctica,
mas, por enquanto nem a escrita é automática...

B: diz-me,sentes-te melhor agora,
por ter a tua loucura cá fora?

C: isto é qualidade de vida. de verdade!,
por amor que só chega ao final da tarde.
roubaram-te tudo, sentes-te amaldiçoado
e sem querer voltas a falar do fado.
comprido o dia, cumprida a tarde
proibido o ouvido de gostar de ouvir a verdade.

D: onde estavas? acabei de subir e tu não chegaste, queres descer?...
a ver se nos vemos

A: não vou descer, não faz sentido, estou aqui melhor


D: vou descer, mas também não faz sentido, subo, volto por ti. acho eu, não sei, talvez.
bem, venho, vou-te comprar qualquer coisa, não sei o quê, cerveja vinho.
vou descer, subo outra vez.

ABCD

1 comment:

Mariana Kaufman said...

está lindo mesmo... dê notícias...