26.12.08

lamentos de um acordar binario

"ioioio.......iiiiiiiiiiiiiiiii.iooooooo.........xtxtxtxtxtxtxtxtxt....x.xxxxxxxxxxtttt.t.......t.t.............tttxtxx
xxt.xxxxxxxxxxxxxxx.......XXX
texto, bio-texto, morfo-bio, morfo-texto, hiper-texto, zero-texto
sempre saí de casa a pensar, sempre voltei para casa a pensar, estava em quase sempre a pensar, o resto do tempo operava uma machina.
apercebi-me da minha mente, nao sabia que existia...mais uma maquina para operar. E com isso senti as diferenças: ja nao era tudo limpo e ordenado, o binario tambem tinha ruido no motor, recordava os tempos da ausencia. Os sentidos quando ainda cumpriam a sua funçao sem necessidade de relatorio ao sistema central.
vejo entao que, face às opçoes, as escolhas sao ilusoes. A malha é estreita, o binario com relevo. entre as fibras, as cedencias sao limitadas e aparentes. Tudo controlado de longe, tudo variaveis, em processos distantes do pobre actor secundario.
em conceitos de patroes que nos alimentam ilusoes caguei!
por sentir ter cagado, transformei o meu novo corpo num dado,
desconhecido e sem formula para aplicar.
e de repente assisti à carencia da existencia de uma tripa de quem comia.
nem por vontade propria nem por de outrem, mas rapidamente se habituava
ao aparecer/desaparecer da descarga de agua, que pouco limpava.
a sociedade de um espectaculo de merda.
os simbolos estabelecidos e os sinais identificados, tornou tudo mais facil,
ja sinto que corro menos perigo, sobra-me tempo para o texto.
mas como eu, que por acaso escapei, tambem eles que desde o inico operam e pensam sem refreio. e entao com os signos plantados dedicam-se tambem ao texto, à mensagem.
e a Ti: colam-te algo ao pensamento, algo que se pega_dizem que dificilmente contagia.
sentes que te conhecem, os teus mitos, os teus fantasmas.
e assim, perdeste o poder de dissuasao.
os factos aumentam, os dados inundam de de repente qualquer novo imperador se intitula o rei Ra(m), com uma destreza que o aniquila.
assisto pavido ao aumentar, aparentemente racional, de dados e ao ostracizar do meu numero de serie, da minha patente ou, como prefiro chamar-lhe, do meu dado.
tento vos explicar que novo ser sou. sei que outros o relatam, por mim, aos microfones.
com menos sangue, vos dou o meu relato.
escapei ao esmagamento, fugi ao destino de sucata,
apesar que escapei usando um uniforme de prata.
esse metal ainda me pesa: sinto-me por vezes um humano seduzido por alheias seduçoes.

mas penso no entanto que ja me esqueci de muitas pessoas.
juventude eleva-te, e à marca que se apaga. sempre quiseste acordar fora de horario e depois voltar a dormir.
ao longe oiço a jovem humana a gritar, a alegria na agonia,
rebola de qualquer forma.
que queres que te diga? aproveita a barriga.
depois o sabor é vermelho e quase redondo.
tremo eu, como a maioria, por eles fazerem a historia de alvenaria
e trepam parede acima, por que rebolar nao é digno
e a vontade de ter medo é igual à de ter frio.
e sem pensar, tomam a manta por amigo.
sentes-te protegido?
tanto tempo perdido, dobra a esquina enquanto nao é redonda.
à velocidade que dá , que sempre quis, ando à roda:
zero

sempre a mesma vigilância, parece que não incomoda à distancia.
tantos números sem mensagens
que a questiúncula furuncula:
da existência sem registo...
espero ate amanha, se a situaçao nao melhorar
logo me vendo a mephisto:
a unica leviana que me dá a mao ja a puxar."



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