bem vindo à nova clapsia
hoje acordei, como sempre, com a crescente presença do som da utiloxigenese, mas tive um daqueles sonhos assombrados povoados pelas estorias
que ainda povoam o meu subconsciente desde criança:
vejo a acção a decorrer longe do Polo, não sei precisar bem onde é. lembro-me de um caos vago, à imagem das descrições vagas e dementes dos velhos anciaes.
Diziam que houve tempos em que existiu um excesso de consumo, donde o despropósito produziu o desperdício útil, mas o excesso de nutrientes livres ajudou
à reconquista do território pelos unicelulares que o reordenaram, o ar e a comida escasseou e os humanos foram afastados do que chamavam as zonas mortas,
que na verdade estavam repletas de vida molecular e unicelular que reclamavam o controlo do meio,
pouco mais sei, nunca saí do pólo...mas entre lendas e fracas memorias, a minha imaginação faz-me tentar quebrar o continuo espacial-temporal da novacolapsia.
inconscientemente estranho e questiono a liberdade do encargo de uma cultura ancestral, de um assentamento justificado num confim de tempo virtual.
sei da inutilidade destas duvidas, que apenas me preenchem antes do inicio do período funcional, antes da funcionalidade contagiar,
desta marcha me remeter na jornada colapsi, fruto da vida poliritmica, ordem tao distante dos mitos do caos dos nossos primitivos.
sabemos que não comiam oxido, mas o lento inquinamento provocou uma reprogramação genética in utero,
atingindo o sistema endócrino que alterou todos os outros sistemas.como seriam os seus sistemas reprodutivos e digestivos.
ouve-se ainda o mito sobre alguns sobreviventes que todavia habitam o meio do planeta onde dois polos se anularam em força e a estática impera
em gigantes aglomerados de pequenos resíduos de polímeros artificiais que ali terminam o seu errante percurso nas correntes quentes
ante a estática magnética do nulo polar. alimentam-se desses polímeros assim como uma outra espécie sobrevivente que é capaz de voar mas incapaz de escapar.
bem, pelo ritmo da utiloxigenese, chegou o inicio da jornada. ja pensei nisto o tempo justo. vou abrir os olhos que está na hora.
quando começa assim sinto sempre a benesse de viver sobre um movimento puro.
a distracção funcional que me permito será a essência da liberdade?
poderia, talvez, quando daqui a pouco terminar a minha rotina, sofrer pela escassez de referencias, mas
à leveza que o tempo e o espaço exercem sobre mim nem sequer lhe posso chamar pressão.
a discussão inexistente do sentido da vida guarda-nos ilesos,
é óbvio e único o sentido: é unipolar
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