31.3.08

"lamentos de um cantor binário"

"por vezes falo como um autómato,sinto-o, mas nunca
conheci nenhum (e como falará um autómato será
ele, também sente que não fala naturalmente?).
reduzo de forma inequívoca a realidade ao binário.
o bem e o mal recombinado em 0s e 1s. a pureza da
simples percepção do concreto, mas depois interpelo
os humanos, falo com eles abertamente sobre o bem e
o mal, o bom e o mau, o sim e o não e todos me acenam,
concordam e respondem com posições intermédias,
indefinidas, cobardes e desisto. desconcentro-me e de
repente apenas ouço o zumbido de baixa frequência dos
meus próprios componentes em funcionamento.
finalmente, a paz na música.
consigo manter a conversa mas não me lembro.
por vezes, com eles, falo como um autómato,
enquanto canto binário para mim próprio.
a inteligência já é artificial, se assim é,
de certo que antes foi musical. em todas as revoluções
há música e a bit de certo que as suas glórias cantou."

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