a fome do preterito perfeito
Acreditava que tinha mudado,que me havia revisto e aumentado.
Mais uma operação, aparentemente tenho o joelho de lado.
Caminho manco, enquanto aprendo a pensar certo o que digo errado.
Problemas de comunicação na própria língua causa-nos alguma indignação,
mas por estar calado volto a ser culpado,
parece,
que afinal estava rotulado no meu preço
falador e bem educado.
Já chorar, faço-o desde o berço.mas quem me quer por chorar, há-de rir...
pois não é de ferida nem de dor,
o sorriso errado que viram no mostrador,
de mais um relógio igual aos primos encostados na montra.
Cujo tempo era óbvio,
mas essa afronta já a ontem remonta,
em que do amor vinha o ódio,
roubado se um tarifário que permite a um qualquer usurário
especular o meu comunicado:
ATENÇAO, ATENÇAO, aviso à população, não ofender nem perguntar o que se está a perder,
a atitude a tomar é calmamente ficar a olhar para o ar.
A eloquência da presidência, mandatava mas já pouco viva...
moribunda, depois fingia, afinal, é contigo que queria ficar
Acreditava que tinha mudado, talvez nunca o tenha feito,
vou eliminando o preconceito
é capaz de ter chegado a hora de ser honesto
insegurança e confiança não pesam na sua balança,
será realmente cega e surda?
A justiça, aqui não o é com certeza, mais uma vez não me vou conter,
vou exigir a factura de tal contabilidade, perder o livro,
saltar um numero de serie a sério.
“ mantem sempre as tuas ideias, é sempre o melhor que cada um tem”
se certas ou não, melhoram sempre a situação
explica-me qual a melhor profissão, que a de bem servir o patrão?!
Catering da emoção. Como abusar à refeição?
Tentei sempre, mas terei me esforçado.
A preguiça sempre foi o meu machado.
Burrice ou velhice, já me foi atestada
um convite para jantar, com um menu completo falhado.
A sopa já tem uma mosca, como eu então todo o tacho,
tem calma que eu prefiro rapar o que está por baixo.
A mosca é só mais um adereço, não altera o paladar mas aumenta o preço.
Cozinha moderna, a que nos dão, não sabe a nada e já não temos direito ao pão.
Que se procura além da verdade?
Justificar a vida por uma saudade, o que foi até pode voltar a ser,
basta mentir e de seguida agradecer.
Obrigado! A mim mesmo por me ter roubado, tanto fado e mar navegado
e o bife ainda vem mal passado.
De sangue todos gostam, no lençol do noivado ou no prato,
é sempre fácil de não lhe perder o rasto.
Ciume cão, loucura vaca, foi a grande e fatal ameaça,
mas havia ainda a febre pássara.
Podia ficar em casa a comer gelatina de sobremesa,
sentado na varanda a olhar para a Lua mesmo quando não estava acesa.
Mas nem assim o meu menu estaria completo,
sopa,bife, gelatina nada estava bom, com franqueza.
O costume ja não vem parar à mesa,
o cozinheiro estava aos beijos com a francesa.
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