ja vejo o padrao, paula
No tempo da pornografia, exponho-me presente ao que me aparece à frente,
e logo me chamam puta.Ao contrario de muitos, vendo o que é meu.
Profundo e fecundo,
reconheço o amor que podia mudar o mundo,
mas a minha opiniao nao conta,
chamam-me puta.
E por isso nao sei o que digo.
Conheço-os melhor que eles a si proprios,
assim sabendo, vendo caro o que tenho gratis.
pinto a mancha a giz
Disfarço inconsciencia de inocencia,
convenço-os do meu direito de ser assim,
de os ofender,
sem me culparem de falta de prazer.
Coitad@ nao sabe o que faz, mas vai-se safando,
sozinho ou em bando, mostra o coração de relance
ao Manel e ao Fernando.
Se calhar ja consigo aguentar com todo o peso do mundo
não nas costas, mas nas ancas
sou livre de foder com todos
e a minha foto nao aparece nas bancas.
A vida vivida com medo,
é uma vida meia vivida.
Como se a vida fosse assim tao importante para estar a falar dela e pior ainda falar da minha.
Como se a as vidas que se misturam com a minha fossem possiveis de eliminar da espinha.
Ja nao sou eu nem somos nós.
A Historia é uma insignificancia, individual e efemera arrogancia.
Aos quantos que, aqui mesmo, já antes de mim foram esquecidos.que sorte igual me espera?!
Estou quase a morrer, entao devo aproveitar, este estado de passagem sublime que se chama persistir.
Mudar algo, com a minha presença na esquina ou à porta da pensao.
Na lapela do casaco o meu broche é um coraçao.
E quando morrer? a partir desse dia vou deixar de sentir seja o que for:
dor, prazer, fome, sono, cansaço, confiança, insegurança, ansiedade, felicidade,
que tristeza, vou deixar de sentir
nem triste vou poder ser.
A pressao de viver, aproxima o morrer.
O mundo começou sem homens e acabará sem eles,
e de repente, o mundo muda
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