25.9.09

ja vejo o padrao, paula

No tempo da pornografia, exponho-me presente ao que me aparece à frente,

e logo me chamam puta.

Ao contrario de muitos, vendo o que é meu.

Profundo e fecundo,

reconheço o amor que podia mudar o mundo,

mas a minha opiniao nao conta,

chamam-me puta.

E por isso nao sei o que digo.

Conheço-os melhor que eles a si proprios,

assim sabendo, vendo caro o que tenho gratis.

pinto a mancha a giz

Disfarço inconsciencia de inocencia,

convenço-os do meu direito de ser assim,

de os ofender,

sem me culparem de falta de prazer.

Coitad@ nao sabe o que faz, mas vai-se safando,

sozinho ou em bando, mostra o coração de relance

ao Manel e ao Fernando.

Se calhar ja consigo aguentar com todo o peso do mundo

não nas costas, mas nas ancas

sou livre de foder com todos

e a minha foto nao aparece nas bancas.

A vida vivida com medo,

é uma vida meia vivida.

Como se a vida fosse assim tao importante para estar a falar dela e pior ainda falar da minha.

Como se a as vidas que se misturam com a minha fossem possiveis de eliminar da espinha.

Ja nao sou eu nem somos nós.

A Historia é uma insignificancia, individual e efemera arrogancia.

Aos quantos que, aqui mesmo, já antes de mim foram esquecidos.que sorte igual me espera?!

Estou quase a morrer, entao devo aproveitar, este estado de passagem sublime que se chama persistir.

Mudar algo, com a minha presença na esquina ou à porta da pensao.

Na lapela do casaco o meu broche é um coraçao.

E quando morrer? a partir desse dia vou deixar de sentir seja o que for:

dor, prazer, fome, sono, cansaço, confiança, insegurança, ansiedade, felicidade,

que tristeza, vou deixar de sentir

nem triste vou poder ser.

A pressao de viver, aproxima o morrer.

O mundo começou sem homens e acabará sem eles,

e de repente, o mundo muda

e sem a sua História, felizmente.

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